LUSCO-FUSCO

(CEN-2003)

No lusco-fusco das paixões carnavalescas
Rompi as arestas de um pudor frio e machista
Que concede à mulher, desde a mais terna idade,
Da gazela a pluma, nas vaidades chovinistas...

Extenuada em quatro noites de folia
Rasguei meu coração, insossa fantasia:
Vesti meu tererê, rodei minha baiana
Fantasiei de cinderela a meretriz....

Descolorindo ébria o fogo da paixão
Desafiei, inébria a minha triste sorte,
Me fiz errante, amante vil, fiel consorte
De um prazer escravo que se apaga em cinzas...

E venham outros carnavais, se curem as marcas
Deste amor louco, e de tão louco, bestial
Me fez mulher, sem antes brincar de menina!